a life of regrets...
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Viveste sempre como se fosse um dia a mais e afinal, era um dia a menos....
Sempre soubeste que um dia, seria o último dia, mas nunca pensaste nisso de verdade...
O princípio do fim....Choraste e sentiste a fúria do universo contra ti, o universo tão infinito contra ti.
Os muros que construis-te ao teu redor, desmoronarem-se agora, assim...
Revoltaste-te e gritaste.... ficaste em silêncio e o coração a rebentar-te por dentro, por impotência. Por quereres acordar apenas.. re-fazer, re-viver, mas desta vez, bem, ou pelo menos, melhor.
Tu que sempre pensavas que um dia ias fazer, um dia ias ter, mas nunca fizeste e nem sequer tiveste aquilo que te enchia o peito, que aquece o coração, aquela felicidade que nos sai pelos olhos....
Sem te dares conta que o tempo passava por ti e te ia acaraciando o rosto, o corpo e a alma... E tu, sempre distraída. E a vida sempre à tua espera, a ser branda contigo, a rondar-te à espera que visses que ela estava ali, a abraçar-te de mansinho. À espera que também a abraçasses, ou que pelo menos entrelaçasses as mãos.
E hoje, que não há mais tempo, percebes que tudo foi uma luta vã. Todas as horas extras de cansaço acumulado, só fazem com que chores mais por teres perdido tanto tempo, por tantas coisas terem sido tempo perdido…
No escuro do quarto, deixas as lágrimas correr, silenciosas... Tens medo de adormecer sem querer. Parece- te agora que toda a tua vida, estiveste adormecida...
Por vezes, só precisas ter uma bofetada, de um "abanão" para percebres tudo....
Percebes o tempo perdido enquanto lutavas afinal, por nada....
Perceberes que tens de mudar tudo para conseguires deixar para trás e seguires em frente, livre.
Perceberes que no futuro, nenhum arrependimento ou dor de quem te deixou na berma, te vai causar nenhum tipo de culpa, e não apenas agora....
Ficas numa dessas encruzilhadas da vida e percebes que estás há demasiado tempo distraída dos sinais que estão mesmo diante de ti...
Dói pensar que estás sozinha porque quiseste esperar pela perfeição. Dói porque eu te dizia que a perfeição não existe e quiseste esperar mesmo assim...
Aos poucos vais guardando nas gavetas sem fundo os planos que tinhas para a tua vida...
Pouco te importa o que possam pensar, o que possam dizer.... Nada do que sentes agora, no fim, é pior que o que sentias antes do fim.... Porque em cada fim, sabes bem, há um inicio.
Muitas vezes, na beira do abismo, tens mesmo de dar um passo atrás. Só para não continuares tentando enquanto morres devagar, por dentro....
Onde vives a tua vida sentada e quieta de camarote, existindo sem existires e vivendo sem viver...
Se me perguntarem porque espero ou o que espero, não sei dizer....
O que sinto é que ainda não é isto.
O que sinto é que caminhei tanto para alcançar o que pensava que era o que desejava, e agora, que olho o mundo do cimo da montanha, vejo que afinal... não quero tanto assim.
É por acreditar... que talvez amanhã, quem sabe, consiga voar...
Viver, arrumar histórias e começar outras...ir depressa demais e outras vezes não ir sequer. Chorar porque rio e a rir porque choro. Com este coração que não me cabe no peito. E reconstruo-me assim por dentro, devagar....
Recordo que um dia li um provérbio que dizia que quando chegasse a um momento em que me sentisse, de tão cansado, incapaz de dar um passo, teria chegado precisamento a metade do caminho que era capaz de percorrer.... Talvez seja verdade.
A coragem surge sempre algures, nessas coisas que nos escapam ao primeiro olhar...
Por vezes a falta pesa. A falta de coisas tão banais...como o amor. O amor que quando não morre mata.
O amor que muitas vezes, por desistir de nós, nos obriga a desistir dos nossos sonhos.... Que por ser tão odiado é tão procurado. E nessa procura, ele a bater à porta, de mansinho, e nós, distraidos...
Quantos sentem falta? E de quê? Ninguem fala das faltas que sentem, das saudades que têm. A verdade é que não se fala do que se sente... medo? Talvez.
As coisa bonitas calam-se para se gritar alto as outras.... É sempre mais fácil magoar que dizer gosto-te.
A verdade é que sempre segui pelo melhor caminho, o unico que naquele instante poderia seguir. Parece-me agora que sempre o mais dificil...
Hoje que penso nas perdas, nas faltas, na saudade, nas esperas constantes, vejo que perdi muitas almas, mas nunca a minha, perdi muitos corpos mas nunca o meu...
E a saudade só faz com que espere. Espero o dia em que a possa matar, para sentir aquele sorriso que nasce inocente, por uma ternura que vem do peito, cá de dentro, devagarinho... só para sentir que todo o tempo de espera não foi em vão...