gone...
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Houve um tempo em que sentia a tranquilidade sempre que os teus olhos olhavam para mim.
Pensei que o amor podia ser a cura, mas afinal foi o mal.
Pensei que as tuas palavras eram verdade, mas afinal eram mentira. Tudo foi mentira, até o amor.
Pensei que aquela mulher que me mostravas ser, eras tu. Mas errei....
É sempre assim, não é?
Quando um dia acordamos e percebemos que passámos metade do tempo à espera... Quando sabemos que nada virá. Quando cá por dentro já sabíamos que não havia o que esperar.... Quando já nem me sentia com idade para esperar pelo que quer que fosse.
E esperei mesmo assim....
Talvez sejam as coisas tontas que dizemos e fazemos por amor. Que queremos seguir e andamos às voltas, sem nunca sair do lugar. Sempre com uma esperança renascida de um talvez, mas nunca é....
Depois é tempo de aceitar.
E passamos outro tempo a tentar não lembrar. Não lembrar aquilo que o nosso coração teima em não esquecer.
As esperas são sofrimento, sabias? Rebentamo-nos por dentro nas noites que seguem os dias em que não há uma voz, um estar perto. Chegamos à linha em que ou saltamos e caímos, ou decidimos caminhar, voltar atrás. O que não sabemos é que o caminho de volta, muitas vezes, é o mais doloroso.
Um dia dizemos basta. Um dia dizemos que nunca mais.
E depois um dia, mais tarde, voltamos a repetir tudo outra vez. Outra vez pensamos que sim, afinal é não...
Tudo se repete quando se ama com o lado errado do peito. Até as coisas erradas. Porque gostamos. Porque sabemos o que é gostar e queremos sempre ter de novo o coração assim, aconchegado noutro coração.
Um dia já não sentiremos o peito apertado. Já não teremos os olhos rasos de água. Já é um doer devagar, que mói mas não magoa... Já não sentimos o coração a soluçar baixinho.
Precisei acreditar em ti, e acreditei. Que podias gostar de mim, de verdade. Sentia-te como um anjo que me caiu no prato.... Precisei depois acreditar que afinal, eu não era assim tão importante....
E precisei sorrir ao mundo como se fosse a pessoa mais feliz, quando me sentia a mais vazia, incompleto e só.
Quanto mais te queria esquecer, mais te lembrava. Eras tu em tudo. Nas musicas, nos lugares, nas palavras, nos sorrisos. Sempre tu. Porque estavas cá. Mas eu já não queria que estivesses aqui...
Não esqueço que me fizeste sentir alguém mesmo muito especial, na parte do tempo em que me lembravas que pensavas em mim. Não esqueço que me fizeste sentir o sangue correr nas veias e fazer loucuras. Não sei se por ti, se por mim. E cá por dentro, os dias felizes, mesmo assim, se tornam maiores que os meses tristes.
Não esqueço que me provaste que eu era capaz. Outra vez. Depois da desilusão, voltar a voar.
Quando por amor nos esquecemos de todas as lágrimas que alguém nos causou?
E aprendi também que quanto mais transparente for, mais invisível me torno. Não posso ter este coração na boca nem os pensamentos na ponta da língua. Preciso aprender o jogo. E o jogo é ganho por quem mais esconde.
Não sei se entendes o que te quero dizer. Nem sequer sei se vale a pena dizer-te o que quer que seja. Porque quando se fala do que se sente, quase nunca o outro sabe realmente do que estamos a falar....