Só porque há desejos que pulsam em nós e não nos deixam descansar.
Queria ser livre contigo num qualquer lugar, sem pressa, sem medo. Deixar-me tentar, só porque tenho vontade de ti...
Abraçar-te, encostar a minha boca à tua, procurar-te a língua.... Embrenhar os meus dedos no teu cabelo, tocar-te o rosto.... Olhar-te, sentir-te o prazer, mil mãos em ti a percorrer docemente, nas nádegas, nos seios, nas coxas, na cintura, nas costas, no ventre... Despir-te vagarosamente, espalmar a língua em cada pedaço de ti, demorando-me nas curvas do teu corpo, viajando para o sul do teu ser, roçar os corpos, rasgar a pele... Encostar-te a paredes, rebolar na cama, no chão....
Só porque o amor é grande, fazê-lo contigo, construindo-o.
O êxtase, sufoco, delírio, suor e prazer... Deixar voar os desejos satânicos e profanos, o tesão... Ser o verso e o reverso de ti.
Querendo-te num balanço como as ondas do mar, de arrepiar a pele e os sentidos. Deslizar o corpo suado, molhado, colado ao teu...
Movimentos vagarosos ou vigorosos. O mel no ventre, nos seios...O orgasmo, a libertação, o descontrolo, soltar os gemidos... Os corpos cansados e entrelaçados, perdidos e achados no meio de lençóis...
Banhos temperados, perfumados, a cama mesmo ali, gritando os nossos nomes num silêncio quebrado pelos sons do prazer...
Desejos dormentes... Como queria ter-te aqui, agora....só tu e eu..
Hoje só apetece ficar ali, a ouvir música e a chuva que cai, miudinha, lá fora... Ficar numa melancolia que não é tristeza...que é estado de alma, de ser.
Ficar a lembrar que gosto da chuva, afinal... Que tenho a saudade dos beijos de chuva... de lábios que se procuram e que entre um olhar e outro, se encontram e se misturam com gotas de água. Beijos partilhados..
Pensar nas mãos que despem, em pontas de dedos que tocam... em massagens com óleo, espumante e velas. Em penas de pavão que arrepiam a pele.. pensar no deslizar de mãos pelas costas, pelo rosto, pelos cabelos.... Pensar em banheiras de espuma, em areia de praia. Pensar em bancos traseiros de carros... pensar em danças de corpos que se encostam e se desejam... em corpos encostados às paredes, em gemidos...em sofreguidão. No chão duro...e não só... em línguas, em suor, em prazer...
Pensar nas conversas de travesseiro...
Largo os pensamentos, não me abracei nem abracei ninguém....Quem sabe amanhã...
Hoje não vou abrir os estores para deixar que o sol, que já brilha lá fora, inunde o quarto de luz.... Não vou lançar-me a ti e acordar-te, enchendo-te o corpo de beijos...
Ouvem-se as palavras meigas, a voz nas noites frias, os sorrisos...depressa o ser humano se habitua às coisas boas. E dizem-nos que são diferentes, para não estarmos à defesa, para darmos uma oportunidade a nós mesmos de sermos felizes... Há portas que se deviam manter para sempre trancadas....
Depois da desilusão vem a raiva por termos sido ingénuos ou inocentes, depois da raiva virá a saudade...depois da saudade nada virá.... Até ao dia em que o nada seja de novo preenchido pela ilusão...e quem sabe aí se volte a acreditar, mesmo que por um breve instante do tempo, que alguém pode mesmo ser diferente.
E o nada será tudo outra vez...voltaremos a acreditar no que não existe....